Pesquisa da Uern cria método para melhorar qualidade do sal no RN

Foto: Reprodução

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) desenvolveram um método para retirar impurezas da água do mar antes da produção do sal. A proposta busca melhorar a qualidade do produto e reduzir perdas durante o processo industrial.

O estudo é realizado pelo Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais (LACAM) e envolve pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais da universidade, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Atualmente, a produção de sal passa por várias etapas, incluindo lavagem para retirada de impurezas como cálcio e magnésio. Segundo os pesquisadores, esse processo pode dissolver parte do sal e diminuir a produção final.

Para tentar resolver o problema, a equipe passou a usar zeólitas, minerais capazes de capturar essas impurezas ainda na fase inicial da produção, durante a entrada da água do mar nos tanques.

De acordo com o professor Vinícius Caldeira, coordenador da pesquisa, as zeólitas já são usadas em sistemas de tratamento de água por ajudarem na remoção de minerais.

Os testes foram feitos com um protótipo de filtragem em fluxo contínuo usando água do mar coletada em tanques de uma empresa parceira. Segundo os pesquisadores, o sistema conseguiu reduzir em cerca de 35% a dureza da água nos primeiros minutos de funcionamento.

A ideia é impedir que cálcio e magnésio entrem na formação do sal, melhorando a qualidade do produto final antes mesmo da etapa de cristalização.

A tecnologia desenvolvida pela Uern teve pedido de patente registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O Rio Grande do Norte concentra cerca de 95% da produção de sal marinho do Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Mineração. O setor movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e gera milhares de empregos no estado.